O prazer da tortura, literalmente.
Se alguém conta uma história pode acabar por adicionar uns pontos aqui, exagerar num diálogo ali, incluir pessoas, alterar situações ou inventar a porra do causo de cabo à rabo e nem perceber (será?)! Brincadeiras à parte, verdade é que isso acontece o tempo todo (ora vamos, quem nunca exaltou um ponto pr'aquilo valer mais risadas do que de fato merece?). Assim, ao longo da vida e do convívio com certas pessoas (que, afinal, não mentem, dão um show!) aprendi que a leitura é a melhor forma de se conhecer uma história, não só por ser a descrição mais precisa da intenção do autor (que normalmente lê, e relê, e relê e só então publica) como por ser também o relato mais íntimo de uma trama. Nada mais delicado do que entender cada passo, cada movimento e cada sentimento de um personagem. E nada mais doloroso do que ter que terminar um livro (detesto despedidas!) e se convencer de que aquele indivíduo com quem você compartilhou tantos pensamentos é fictício, por mais real e concreto que ele pudesse parecer (eis, então, a brilhantia de cada escritor!).
Diante do dramático quadro fica claro que em pouco tempo o prazer da leitura me trouxe, como que um rei dos paradoxos, o desgosto de suas consequências. E é justamente sobre elas que vim escrever.
A primeira desgraça que esse vício me impôs foi a compulsividade adqüirida por livrarias. Aliás, mais do que por livrarias, pela necessidade de ter o livro (maldito capitalismo!) para só então lê-lo. Cara, ler é bom, mas ler o que é seu e depois poder colocar na estante é o clímax (hahaha)! Levar o tempo que quiser, sublinhar algumas partes (à lápis, é claro, a caneta está para o livro como os EUA para Fidel!) e até abrir o livro no ângulo mais confortável de acordo com a posição sem se preocupar se estás amassando ou não certas partes do mesmo (!!!) são fatores fundamentais para a plena felicidade no exercício literário. A questão maior é a que vem depois: livraria é tão cheirosa quanto cara, fazendo com que eu, estudante pobre e desempregada, me veja obrigada a freqüentar sebos escondidos e fedorentos e a comprar livros velhos e capengas para suprir meu incontrolável sentimento de posse. Sem falar nas queridas traças que muitas vezes os acompanham. Aiai...
A segunda questão que se faz real é a dificuldade que eu tenho de me desvencilhar das coisas às quais me apego, e isso não exclui de maneira nenhuma os malditos personagens que me são apresentados pelos livros. Como já dito antes, eu tenho verdadeiro horror ao adeus. Mas, pra mim, pior do que o próprio adeus é a estúpida sensação de se envolver com algo que você sabe que quanto melhor for, menos vai durar. E mais: optar por isso! É como conhecer um putão vagabundo e dizer "quero casar". E ler acaba sendo exatamente isso. É escolher minuciosamente a história, o autor, tentar achar o melhor clima, o melhor ambiente, pra dali a pouco tempo (PUM!) ir tudo por água abaixo. E é aí que a maluquice toda complica. Fico dividida entre mil coisas como escolher então um livro ruim pra sofrer menos no fim ou ler tudo meia-boca pra não me envolver (e nem entender, né?). E a solução acaba sendo diminuir o ritmo da leitura quando vai chegando o fim, pra ir me despedindo aos poucos e degustar cada frase dos últimos capítulos.
Além disso, há ainda um terceiro e mais grave conflito que eu vivo. Depois de muitas lamúrias eu consegui aceitar a idéia de que vou mesmo morrer antes de ler tudo que eu gostaria. Pois bem. Desde então, tenho me preocupado em só ler livros realmente valiosos (já imaginou deixar de ler um clássico excelente porque perdeu-se tempo com alguma idiotice?), não dar intervalos significativos entre um livro e outro, e por aí vai. É claro que isso vive em constante briga com a mania de lerdar nos últimos momentos de tudo quanto é revista de sala de espera que eu arrumo pra ler! Entretanto, confesso a real angústia que me fez escrever esse texto enooooooooorme: ando pecando. Fato é que estou RELENDO um dos melhores livros que já passaram pela minha estante, "Ensaio sobre a cegueira" (José Saramago). Sem que seja necessário nenhum exemplo de extrema brilhantia é possível perceber que isso vai de encontro com todas as minhas crenças estabelecidas anteriormente (e que fique claro que elas merecem bastante respeito). Por conta disso, andei repensando todas essas regras e não encontrei um motivo sequer para baní-las. E aí? Foda-se, o livro é bom mermo e zéfiní!!!
Se alguém conta uma história pode acabar por adicionar uns pontos aqui, exagerar num diálogo ali, incluir pessoas, alterar situações ou inventar a porra do causo de cabo à rabo e nem perceber (será?)! Brincadeiras à parte, verdade é que isso acontece o tempo todo (ora vamos, quem nunca exaltou um ponto pr'aquilo valer mais risadas do que de fato merece?). Assim, ao longo da vida e do convívio com certas pessoas (que, afinal, não mentem, dão um show!) aprendi que a leitura é a melhor forma de se conhecer uma história, não só por ser a descrição mais precisa da intenção do autor (que normalmente lê, e relê, e relê e só então publica) como por ser também o relato mais íntimo de uma trama. Nada mais delicado do que entender cada passo, cada movimento e cada sentimento de um personagem. E nada mais doloroso do que ter que terminar um livro (detesto despedidas!) e se convencer de que aquele indivíduo com quem você compartilhou tantos pensamentos é fictício, por mais real e concreto que ele pudesse parecer (eis, então, a brilhantia de cada escritor!).
Diante do dramático quadro fica claro que em pouco tempo o prazer da leitura me trouxe, como que um rei dos paradoxos, o desgosto de suas consequências. E é justamente sobre elas que vim escrever.
A primeira desgraça que esse vício me impôs foi a compulsividade adqüirida por livrarias. Aliás, mais do que por livrarias, pela necessidade de ter o livro (maldito capitalismo!) para só então lê-lo. Cara, ler é bom, mas ler o que é seu e depois poder colocar na estante é o clímax (hahaha)! Levar o tempo que quiser, sublinhar algumas partes (à lápis, é claro, a caneta está para o livro como os EUA para Fidel!) e até abrir o livro no ângulo mais confortável de acordo com a posição sem se preocupar se estás amassando ou não certas partes do mesmo (!!!) são fatores fundamentais para a plena felicidade no exercício literário. A questão maior é a que vem depois: livraria é tão cheirosa quanto cara, fazendo com que eu, estudante pobre e desempregada, me veja obrigada a freqüentar sebos escondidos e fedorentos e a comprar livros velhos e capengas para suprir meu incontrolável sentimento de posse. Sem falar nas queridas traças que muitas vezes os acompanham. Aiai...
A segunda questão que se faz real é a dificuldade que eu tenho de me desvencilhar das coisas às quais me apego, e isso não exclui de maneira nenhuma os malditos personagens que me são apresentados pelos livros. Como já dito antes, eu tenho verdadeiro horror ao adeus. Mas, pra mim, pior do que o próprio adeus é a estúpida sensação de se envolver com algo que você sabe que quanto melhor for, menos vai durar. E mais: optar por isso! É como conhecer um putão vagabundo e dizer "quero casar". E ler acaba sendo exatamente isso. É escolher minuciosamente a história, o autor, tentar achar o melhor clima, o melhor ambiente, pra dali a pouco tempo (PUM!) ir tudo por água abaixo. E é aí que a maluquice toda complica. Fico dividida entre mil coisas como escolher então um livro ruim pra sofrer menos no fim ou ler tudo meia-boca pra não me envolver (e nem entender, né?). E a solução acaba sendo diminuir o ritmo da leitura quando vai chegando o fim, pra ir me despedindo aos poucos e degustar cada frase dos últimos capítulos.
Além disso, há ainda um terceiro e mais grave conflito que eu vivo. Depois de muitas lamúrias eu consegui aceitar a idéia de que vou mesmo morrer antes de ler tudo que eu gostaria. Pois bem. Desde então, tenho me preocupado em só ler livros realmente valiosos (já imaginou deixar de ler um clássico excelente porque perdeu-se tempo com alguma idiotice?), não dar intervalos significativos entre um livro e outro, e por aí vai. É claro que isso vive em constante briga com a mania de lerdar nos últimos momentos de tudo quanto é revista de sala de espera que eu arrumo pra ler! Entretanto, confesso a real angústia que me fez escrever esse texto enooooooooorme: ando pecando. Fato é que estou RELENDO um dos melhores livros que já passaram pela minha estante, "Ensaio sobre a cegueira" (José Saramago). Sem que seja necessário nenhum exemplo de extrema brilhantia é possível perceber que isso vai de encontro com todas as minhas crenças estabelecidas anteriormente (e que fique claro que elas merecem bastante respeito). Por conta disso, andei repensando todas essas regras e não encontrei um motivo sequer para baní-las. E aí? Foda-se, o livro é bom mermo e zéfiní!!!

3 comentários:
Luuu, nao te contei!! Achei o ensaio sobre a cegueira aqui em casa!! e assim q terminar o meu de serial killer, vou começar!!
Estou adorando o blog!!
Beeeeeeeijo febril
linda metáfora
ainda não comecei a reler também
U.U
Os livros acabam, de fato. Mas o bom é que você vai carregá-los pra sempre.
E se bate aquela saudade, eles não vão se importar de serem lidos de novo. ;)
Chega de sentimentalismo!
Beijosss
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