quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Da "Revolta da Vacina".

Mas brasileiro é muito pobre mermo, cruz credo! Num pode ver muvuca nem fila que acha que é promoção e sai entrando! Resultado? 5 horas de espera pra tomar vacina de febre amarela (e tem coisa mais brega? É que nem faltar a crisma das criança por causa da cólera!)!!!

Tudo começa com o sufoco pra acordar às 5h, depois pegar buzun pro centro (baaaaaaaaalas de iorgúteo máaaaaaaartigáveis!), errar o posto médico (aqui a gente tudo num vacinemo pra felbre não!), chegar no lugar certo às 7h e ainda ser o n° 300 da fila do posto que só abre às 8h! Sentar numa canga no chão (é que o Centro é limpinho, né, gente?), encostar numa parede teóricamente rosa, mas que tem uma faixa preta quando perto do chão com mais cara de mictório do que sei lá o quê, um calor dos infernos, a criançada brincando de pega sem camisa e com a chinelinho raider e ainda aturar aquela cambada de gente em pé reclamando de quem tá indo lá só por neurose e ignorando os infindáveis pedidos do governo para que se deixasse as levas de vacina pra quem ia viajar pra lugares de risco(terceiro mundo, né?)!!
Mas bonito mesmo é a crasse que fica pro final:

- E nisso, com esses governanti safado e currúptu, né, que num faz nada pelo povo, né, a gente larga o sirviço e passa essa situação toda aqui pra poder ir passar esses dia em Paquetá!

¬¬





OBS: post atrasado mesmo porque fiquei com preguiça de reler esse pra postar aqui antes. :)

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Hein?

Se uma pessoa te pede, como um favor mesmo, pra passar na casa dela e alimentar o gato enquanto viaja e te deixa, junto com as chaves, o dinheiro da passagem de ônibus (!!!) ela tá te chamando de mão de vaca ou te indicando a própria avareza?

domingo, 6 de janeiro de 2008

O prazer da tortura, literalmente.


Se alguém conta uma história pode acabar por adicionar uns pontos aqui, exagerar num diálogo ali, incluir pessoas, alterar situações ou inventar a porra do causo de cabo à rabo e nem perceber (será?)! Brincadeiras à parte, verdade é que isso acontece o tempo todo (ora vamos, quem nunca exaltou um ponto pr'aquilo valer mais risadas do que de fato merece?). Assim, ao longo da vida e do convívio com certas pessoas (que, afinal, não mentem, dão um show!) aprendi que a leitura é a melhor forma de se conhecer uma história, não só por ser a descrição mais precisa da intenção do autor (que normalmente lê, e relê, e relê e só então publica) como por ser também o relato mais íntimo de uma trama. Nada mais delicado do que entender cada passo, cada movimento e cada sentimento de um personagem. E nada mais doloroso do que ter que terminar um livro (detesto despedidas!) e se convencer de que aquele indivíduo com quem você compartilhou tantos pensamentos é fictício, por mais real e concreto que ele pudesse parecer (eis, então, a brilhantia de cada escritor!).

Diante do dramático quadro fica claro que em pouco tempo o prazer da leitura me trouxe, como que um rei dos paradoxos, o desgosto de suas consequências. E é justamente sobre elas que vim escrever.

A primeira desgraça que esse vício me impôs foi a compulsividade adqüirida por livrarias. Aliás, mais do que por livrarias, pela necessidade de ter o livro (maldito capitalismo!) para só então lê-lo. Cara, ler é bom, mas ler o que é seu e depois poder colocar na estante é o clímax (hahaha)! Levar o tempo que quiser, sublinhar algumas partes (à lápis, é claro, a caneta está para o livro como os EUA para Fidel!) e até abrir o livro no ângulo mais confortável de acordo com a posição sem se preocupar se estás amassando ou não certas partes do mesmo (!!!) são fatores fundamentais para a plena felicidade no exercício literário. A questão maior é a que vem depois: livraria é tão cheirosa quanto cara, fazendo com que eu, estudante pobre e desempregada, me veja obrigada a freqüentar sebos escondidos e fedorentos e a comprar livros velhos e capengas para suprir meu incontrolável sentimento de posse. Sem falar nas queridas traças que muitas vezes os acompanham. Aiai...

A segunda questão que se faz real é a dificuldade que eu tenho de me desvencilhar das coisas às quais me apego, e isso não exclui de maneira nenhuma os malditos personagens que me são apresentados pelos livros. Como já dito antes, eu tenho verdadeiro horror ao adeus. Mas, pra mim, pior do que o próprio adeus é a estúpida sensação de se envolver com algo que você sabe que quanto melhor for, menos vai durar. E mais: optar por isso! É como conhecer um putão vagabundo e dizer "quero casar". E ler acaba sendo exatamente isso. É escolher minuciosamente a história, o autor, tentar achar o melhor clima, o melhor ambiente, pra dali a pouco tempo (PUM!) ir tudo por água abaixo. E é aí que a maluquice toda complica. Fico dividida entre mil coisas como escolher então um livro ruim pra sofrer menos no fim ou ler tudo meia-boca pra não me envolver (e nem entender, né?). E a solução acaba sendo diminuir o ritmo da leitura quando vai chegando o fim, pra ir me despedindo aos poucos e degustar cada frase dos últimos capítulos.

Além disso, há ainda um terceiro e mais grave conflito que eu vivo. Depois de muitas lamúrias eu consegui aceitar a idéia de que vou mesmo morrer antes de ler tudo que eu gostaria. Pois bem. Desde então, tenho me preocupado em só ler livros realmente valiosos (já imaginou deixar de ler um clássico excelente porque perdeu-se tempo com alguma idiotice?), não dar intervalos significativos entre um livro e outro, e por aí vai. É claro que isso vive em constante briga com a mania de lerdar nos últimos momentos de tudo quanto é revista de sala de espera que eu arrumo pra ler! Entretanto, confesso a real angústia que me fez escrever esse texto enooooooooorme: ando pecando. Fato é que estou RELENDO um dos melhores livros que já passaram pela minha estante, "Ensaio sobre a cegueira" (José Saramago). Sem que seja necessário nenhum exemplo de extrema brilhantia é possível perceber que isso vai de encontro com todas as minhas crenças estabelecidas anteriormente (e que fique claro que elas merecem bastante respeito). Por conta disso, andei repensando todas essas regras e não encontrei um motivo sequer para baní-las. E aí? Foda-se, o livro é bom mermo e zéfiní!!!
Do tom sem tom da minha pele.

Eu juro que já fui morena um dia.

Quando eu era pequena, transformava qualquer ida à praia num evento. Sofria por antecedência na noite anterior com medo de chuva, de ressaca, de mormaço ou de muito sol (é, minha mãe sempre foi fresca pra isso e aturar a areia já era de-más pra cabecita dela). Saber que dependia da boa vontade do clima (tão cheio de personalidade!) pra realizar meu maior desejo era sempre uma agonia. Nunca gostei desse negócio de depender da caridade dos outros. Chato, né? Porém, fosse pra dar uma aliviada no nosso desespero ou sossego às manhãs de Dona Elisa, sempre moramos em prédio com piscina, onde, portanto, eu tratava de passar 80% do tempo das férias.

Esse pequeno grande problema se resolvia a cada 15 dias, quando meu pai carregava a gente naquela carroça despencando até Arraial do Cabo, que, segundo a placa ridícula que tem na entrada da favela-bairro que é aquela cidade, é onde o sol passa o inverno. A placa é cafona até não mais poder, mas faz jus ao clima da minicidade que dá praia 366 dias por ano. A benevolência solar somada à negligência educacional do meu pai eram sinônimo de paraíso!! Comia o que queria, dormia a hora que queria, acordava a hora que queria e, pro verdadeiro alívio da minha irmã, tomava banho quando queria (e se...). E, como não podia deixar de ser, era praia o dia inteiro!! Eu, que sempre fui uma criança gordinha e desengonçada pra qualquer tipo de atividade física, me despia da pouca vergonha que ainda me restava naquela época e realizava ali um ritual de um prazer tamanho que só conheci novemente mais velha e em outras circunstâncias... Rolava na areia, pegava jacaré, levava caixote (Deus há de saber como se escreve isso!), ficava com o biquini cheio de areia e que parecia outra coisa... Uma beleza! Saía do final de semana já ansiando pelo próximo!!

Passada essa fase, veio o tal do vôlei de praia. Puta que pariu, faltou alguém pra me dizer que tava no lugar errado! Eu sou baixa, gordinha, lenta, preguiçosa... o perfil ideal pra uma jogadora! E ainda por cima sem a menor capacidade de me impulsionar naquela merda de areia, o que tornava minhas cortadas mais maravilhosas nas cenas mais grotescas que o ser humano já viu. Mas eu adoraaaaaava! E como que num princípio de aprendizagem baseado na repetição (mesmo que do erro), eu até que conseguia jogar. Nessa de treinar treinar treinar pra um dia (quem sabe?) conseguir sacar por cima, eu ficava na praia dia e noite! Bonito era ver chegar o verão e eu e a Macaca (ela será devidamente apresentada posteriormente) pretas que nem jambo, tudo com a marca da regata e do shortinho...

Verdade é que o tempo passou e como que num piscar de olhos fiquei mais rabugenta, mais preguiçosa e mais ocupada, além de ter me mudado prum subúrbio, que fica longe da praia pra dedéu! E bronze que é bom, nécas! Fica tudo alvo como a neve e quem olha nem diz que a aquela pele ali já teve marca de biquíni. Só quem tá orgulhosa é a minha dermatologista, que acha lindo esse negócio de pele branca cheia de protetor fator 32573517387! Enquanto isso eu rezo pra fazer sol no dia que a virilha estiver depilada, Luciana estiver com bom humor (eu juro que é difícil) e eu acordar cheia de disposição pra andar de ônibus ou com os pés alados (que é pra chegar na praia em segundos) numa tentativa de tirar a palidez mórbida até o reveillon (que eu não sei que idiota inventou que todo mundo tem que usar branco, pra ficar tudo ton sur ton!).

Mas eu juro que já fui morena um dia.



OBS: resolvi recolocar o primeiro texto porque algumas pessoas não conseguiram lê-lo.